ELE CONTINUA VELHO, CHATO, FEIO, MAU E SEM-VERGONHA, OU SEJA, UM TÍPICO CONSERVADOR.

Coluna do Comendador Baltazar II

Esta é a continuação do blog que fez, faz e sempre fará parte da relação daquelas pessoas que gostam ou odeiam das coisas que são escritas nele. Particularmente falando, penso que a maioria das pessoas odeiam. É por isso que ele volta no mesmo formato odioso.
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Comendador Baltazar (original)
Valleta Culltural
O Escrevinhador


O que tenho para contar desta semana passada me ocorreu na terça ou quarta-feira, não sei ao certo quando isto aconteceu, mas foi o seguinte: estava eu sonhando com um bando de anjos, ou anjas, sei lá, bom; eram todas ninfetas e russas... Bizarro? Você não viu nada. Elas, as anjas, ou anjos, trajavam umas togas, ou sei lá o que eram aquelas coisas, de cores muito claras, e feitas de um tecido bem leve e brilhante que se esvoaçavam lindamente quando eu soltava meus peidos estupendos.

Estava tudo maravilhoso, elas cantavam para mim canções em latim, grego, esperanto e, obviamente, em russo. Tudo com o acompanhamento de uma dúzia de balalaicas para dar a base, umas trombetas enormes que chegavam a arrepiar os pêlos das orelhas quando tocadas, duas cítaras fazendo arpejos majestosos, e para completar esta balbúrdia sonora tinha uma dessas anjas, ou anjos, tocando uma viola (a viola citada aqui é a erudita, e não a caipira) efusivamente enquanto girava no mesmo lugar. Com isto a saiazinha dela se erguia toda e deixava suas partes à mostra.

Não bastasse isso, ainda tinha coreografia durante as apresentações. Duas ou três integrantes deste bando de anjos dançavam diferentes estilos, sempre acompanhando a música que era executada. Parecia até programa de auditório. Bom; o primeiro deles, se não me falhe a memória, foi um daqueles usado nas festas do nordeste brasileiro, o segundo ritmo dançado era aquele bonito, porém chato, da dança barroca, um outro estilo era a dança dos cossacos, mas penso que talvez não fosse bem isso. No entanto, a polca tocada e acompanhada pela dança não parecia ser coisa de russo, ou dos povos daquela região. Parecia coisa de irlandês, ou algo semelhante. Sei lá.

Para encurtar um pouco a história, mesmo por que nem lembro direito o que aconteceu, o clímax do sonho se deu quando surgiu, não sei de onde, quatro marmanjos vestidos com uma roupa muito estranha e se posicionaram em diferentes lugares, onde dois deles ficaram no alto de uma escadaria, um de frente para o outro, ambos com duas tochas acesas nas mãos, e os braços abertos como se estivessem imitando o formato de uma cruz, ou pelo menos alguma coisa que lembrasse isto. E então, depois que ficaram se ensebando com aquelas coisas acesas nas mãos, cena esta que lembrou de uma dupla de assistentes de um mágico qualquer nas tradicionais firulas, os outros dois integrantes que haviam sumidos apareceram novamente dançando lambada enquanto seguravam uma tigela de vidro cheia de tomates bem vermelhos. Pra que isto? Eu é que sei? Sonho é sonho oras. Ninguém sabe explicar estas bobagens.

E daí, depois que eu havia sentado em uma pedra verde, que se mexia de vez em vez, a explicação dos tomates veio diante de meus olhos estupefatos com tantos disparates ocorridos em pouquíssimo tempo. Mas veja; penso até que seria perfeito ficar apenas com as moças tocando e dançando suas músicas insossas, mas como não podemos interferir nos sonhos, e às vezes nem acordar, apenas acompanhei os acontecimentos que se desenrolavam absurdamente. Então, voltando ao sonho; aqueles dois que dançavam lambada ficaram segurando a tigela de modo que continuassem um de frente para o outro, até que os outros dois com as tochas vieram serpenteando e arrastando um dos pés apenas até chegarem perto dos que estavam com o artefato de vidro cheio de tomates. E quando eu pensava que aquela ensebação nunca mais fosse terminar, os que estavam com as tochas tocaram fogo na tigela com os tais tomates.

Aí foi um deus nos acuda. A porra toda pegou fogo e voou tomate assado para todos os lados do céu, ou do inferno. Sei lá. Continuando; Os nego gritando sem parar corriam por mim atrás de alguma coisa que ninguém sabia o que era. As ninfetas gostosinhas corriam de um lado para outro a procura de água para apagar o fogo de suas roupinhas brilhantes e delas mesmas. Mas aí o fogo delas era outro, nada tinha haver com esta bagunça toda. Bom; sei dizer que foi uma confusão dos diabos. Foi aí que acordei gritando, assustado, suado, melado e enrolado no lençol enquanto o pessoal de casa também corria de um lado para outro no apartamento para ver onde é que uma velha, que estava de bobeira na calçada lá embaixo e foi apanhada pelo temporal repentino, ia parar depois que o tufão doido que estava soprando ficasse mais fraco.

Contudo, a natureza foi generosa desta vez, pois a ventania não parou. Fato este que nos proporcionou grande alegria. Foi até bonito de ver. A velha rodopiava no ar feito pião, por causa dos fortes ventos que encanavam pelas ruas alagadas. Mas ela estava agarrada firme a sua bengala que, por sua vez procurava algo para se agarrar também. Mas, a única coisa que a bengala pegou foi em um dos cabos de alta-tensão da rua. Depois disto foi tiro para todo o lado. Foi um verdadeiro show pirotécnico. Parecia até uma panela de pipoca estourando. Falando em pipoca... Contando toda esta história absurda para vocês me abriu o apetite. Então vou atrás do que comer. Até mais.


Aqui estão as anjas, ou anjos, não sei como diz para essas coisinhas. Só sei que estavam se requebrando desta maneira no meu sonho.


A velha da qual falei não foi mais localizada. Talvez pelo vestido que usava, coisa que mais parecia um balão dessas festas de São João, São Pedro e por aí vai. Ela estava tão alto que nem a força aérea conseguiu capturá-la. Contudo, para vocês terem uma idéia de como foi a ventania, aqui está uma pequena amostra.
Oiram Bourges - 19:17 para cima
Terça-feira, Junho 20, 2006


Dia desses estava eu tranqüilo, sem vontade de fazer nada, apenas ficar sentado na minha desoladora poltrona enquanto via uma aranha tecer sua teia que ligava meu nariz ao dedão do pé. Horas se passaram e eu ali, firme na minha decisão de fazer nada. Afinal de contas, por que deveria eu fazer alguma coisa se podia simplesmente ver aquele ínfimo animalzinho de oito pernas me enrolar todo e transformar-me em sua casa. De repente o telefone tocou, mas eu, como sempre, nem liguei para este estúpido aparelho. Coisa que, aliás, sempre faço, ou melhor, não faço. Odeio ter de atender o raio do telefone. Porém, só para variar, ninguém veio atender a este aparelho gritador. Então, com certa dificuldade pude me desvencilhar das teias que já cobriam minha cabeça para saber quem era ao telefone.

-- Alô? De onde falam? Perguntou assim um paspalho qualquer.
-- Para quem você ligou, com quem quer falar, e por que quer falar? Arremessei-lhe esta batelada de perguntas assim, mas com educação, apesar de quase nem poder falar direito, pois minha boca estava quase que completamente fechada com a maldita teia da aranha.
-- Ã... Eu liguei para a residência do senhor Baltazar Ferro e gostaria de falar com ele se possível. Disse-me desta maneira, apesar de falar tais palavras com sofreguidão. Creio que o nervosismo do sujeito impedia que falasse como gente. Parecia até o motor de um carro pifando.
-- Olha. Disse-lhe assim então: -- Você deu azar, o senhor Baltazar não se encontra neste momento. E pelo que sei não voltará tão cedo, ele foi convidado a participar de um jantar muito importante. Olha. Continuei: Pelo que fiquei sabendo só voltará na semana que vem, pois depois do tal jantar ele irá até um desfile de moda onde, por convite também, entrará na passarela acompanhado de duas beldades. E depois, pelo que pude saber, fará um passeio no barco do Primeiro Ministro britânico. E aí, quem sabe, voltará para sua residência após ser agraciado com alguma outra inútil comenda. No entanto, isto não é tudo; depois ele voltará tão metido, mas tão metido que não irá dar atenção a reles pessoas. Pessoas estas como, por exemplo: você. Agora, se ainda assim quiser deixar um recado eu... Puxa vida, heim! Você é um sujeito de muito azar. Não estou encontrando o bloco de papel nem a caneta para anotar a bobagem que você quer dizer-lhe. Sendo assim sugiro a você que ligue daqui umas semanas, ou daqui uns meses, ou ainda, daqui uns anos. Sapequei tais palavras sem o menor remorso. E ainda assim fui gentil com ele. Na verdade eu queria mesmo era ficar quieto e prestar atenção no trabalho da aranha. Mas como a oportunidade surgiu... Como quê oportunidade? Oportunidade é oportunidade. Não se pode perder. Continuando; ã... Bom, eu aproveitei. Não deixei de dizer umas verdades ao camarada. Mesmo por que ele tinha me tirado a concentração. E não gosto quando me tiram a concentração.

Contudo, vejam só vocês, meu corpo permanecia imóvel. Eu, por descuido, acabei todo enrolado na teia deste bicho idiota. Vai ver a tal aranha pensou que eu poderia ser um ótimo lugar para construir sua moradia. E ainda, dois locais para pegar alimentos já preparados para quando ela estivesse com preguiça de caçar aquelas moscas imbecis. Você quer saber que locais seriam estes? Oras, o nariz e o ouvido. Aliás, neste último ela até já fez umas incursões. E numa dessas incursões ela saiu carregando uma bolinha de cerume em suas costas. Mas antes de sair com o produto ela conversou com não sei quem lá dentro do meu ouvido. A minha sorte que logo a Olga voltou para casa. E quando ela retornou me viu passando por alguma dificuldade de sair daquela situação. O que ela fez? Ela simplesmente pegou a vassoura e me varreu. Já a aranha não gostou da desapropriação. Vi quando o bicho começou a xingar minha senhora, pelo que pude ouvir. Mas isso também não durou muito tempo, pois na próxima vassourada que levei na cara este animalzinho sumiu, e nunca mais a vi. Mas tudo bem.


Meus ouvidos podem ser ótimos lugares para aranhas, pulgas ou percevejos, em termos de refeições, ou em termos de morada também.
Oiram Bourges - 00:39 para cima
Terça-feira, Junho 13, 2006


Nesta semana resolvi fazer umas coisas diferentes para ajudar a passar meu temo. Como a copa do mundo ia começar na sexta-feira, um pouco de exercício físico seria uma boa idéia. Assim poderia gastar meu tempo mais facilmente, e ainda, ficar em forma... De que ainda não havia decidido. Bom, deixa pra lá. Continuando; no primeiro dia de minha empresa acordei muito cedo, tipo nove horas, por exemplo. Fiz meu desjejum, dei uma areada nos dentes, um tombo nos pouquíssimos cabelos que me restaram e parti para longas caminhadas... Pela sala, cozinha, quartos e banheiros. Logicamente que tal atividade física deveria ser feito com moderação. Então, de quando em quando eu parava de caminhar feito barata tonta para tomar uma lata de cerveja.

Contudo, esta história de andar de um lado para outro me cansou a beleza. Decidi, sem pensar duas vezes, que no dia seguinte não faria mais esta bobagem. E enquanto pensava o que fazer no dia seguinte, já sentado na cama e enrolado nos cobertores, a Olga, armada de um sorriso desigual e maroto trouxe-me duas paçocas de amendoim de presente. Estranhei, pois normalmente, digo, quando acontece de me trazer alguma coisa ela sim0lresmente arremessa, seja o que for, para mim. De qualquer maneira aprovei a medida. Mesmo que desconfiando de sua atitude. Porém, não fiquei pensando por muito tempo. Estava cansado de tanto caminhar pela casa. Ô atividade mais sem graça esta que arranjei para fazer. Mas tudo bem.

Na manhã seguinte acordei todo poderoso, e pelas quatro paredes do quarto ribombou num ricocheteio só o pequenino peido que soltei. Mas até aí sem problemas. E assim que consegui livrar meus olhos daquele mar de remelas juntei minhas forças para me levantar e ir até o banheiro. Quinze minutos após me decidir por acordar eu consegui chegar ao tal banheiro. Se estava longe? Qual nada. É que, como havia caminhado muito minhas pernas ficaram doloridas e pesadas. Por este motivo me demorei um pouquinho para sair da cama e me deslocar, por meio dos chinelos que se arrastavam descoordenadamente, até o cômodo desejado. Fiz minha toalete e prossegui com minhas atividades. Porém, moderadamente. Que foi que fiz? O trivial, claro. Sentei-me em frente ao televisor, mas não liguei o aparelho. Preferi o silêncio. Apenas tomei umas latas de cerveja enquanto deixei meus pés apoiados nas costas do cachorro. Como ele também estava cansado fizemos um pacto; ele deixava eu apoiar minhas pernas nele e eu deixava ele ficar perto de mim. E assim passamos mais um dia.

Mais uma dessas intermináveis manhãs se passou, e eu, quanto às dores, me sentia melhor. Já com as pálpebras não podia dizer o mesmo, pois eu ainda sentia dificuldades para abri-las. Meus olhos faziam um esforço incrível para enxergar através de toda aquela remela encrustrada. No entanto, uma boa lavada facial na pia do banheiro bastou para que tudo voltasse ao normal. Está certo que depois de tanto esfregar a cara com esponja e sabão ela tenha desbotado um pouco, mas depois que comi mais duas paçocas a coisa voltou ao normal. Aliás, não estava entendendo o por que dessas paçocas. Contudo, não iria perguntar o motivo. Às vezes perguntar ofende.

Ó, o negócio é o seguinte: chegou o momento da copa do mundo, porém, não consegui ver a abertura dela, nem os dois primeiros dias de jogos. Fiquei sabendo, mais tarde logicamente, que o dia dos namorados seria na segunda-feira, que por sinal foi o dia em que a Olga me agarrou. Dia este que que aliás quase morri de tanto brincar com ela. Onde? Oras, por cima da cama, do sofá, das mesas da sala e da cozinha, em cima do computador e da geladeira também. Resumindo; um dia selvagem e memorável... Para o gato e para o cachorro que nunca viram tamanha movimentação pela casa.


Um momento de romance é sempre bem-vindo.
Oiram Bourges - 20:08 para cima
Terça-feira, Junho 06, 2006


De tempos em tempos acabo me deparando com coisas divertidas de se fazer. A prova dista aconteceu esta semana quando, em um dia qualquer, eu até já pensava em me enfurnar em casa, pois havia imaginado que a semana seria nula e enfadonha, surgiu o convite, e o tal convite era para assistir a uma apresentação de um grupo do qual já tive a oportunidade de ver, o Loaded. E ainda por cima, vejam só vocês, era a apresentação de lançamento do primeiro disco. Fato este que deu mais tempero neste molho.

Deixe-me então relatar como foi tudo desde o princípio. Estava eu semi-deitado na minha mofada poltrona, sendo que eu, também, já começava adquirir a forma de mofo, quando recebi a visita do Pereirinha, do Azambuja e do Adalberto. Como fazia algum tempo que não via nenhum dos meus amigos fiquei ansioso em recebê-los em minha adorável morada, mesmo que fedendo à urina de gato e cachorro. Além, é claro, dos pernilongos que resolveram transformar os vasos dessas horríveis plantas, que a Olga possui, em maternidade.

Bom, o Pereirinha como é despachado entrou todo cheio de habilidades em casa. Assim que abri a porta ele deu pulo e se agarrou no lustre do corredor do andar e, como uma manobra de tirar o fôlego ele se jogou com um salto em parafuso até adentrar meu apartamento onde aterrissou na cristaleira. E para finalizar a obra, coisa que certamente deixaria até os trapezistas do Cirque Du Soleil se mordendo de inveja, ele deu um mortal quádruplo que voou por toda a sala até se assentar em uma das cadeiras da cozinha.

Como fiquei babando com tanta destreza nem falei nada para os outros que ainda estavam do lado de fora. Apenas os fiz entrar para que eu pudesse fechar a porta. Porém, estranhei quando vi o Azambuja com as mãos amarradas. Pensei até em perguntar, mas ainda me faltava ar nos pulmões de tão extasiado que me encontrava. Contudo, com o passar do tempo, percebi o real motivo de velho general ficar com as mãos atadas. E a razão para isto consistia em controlar suas manias de deslocar de um lado para outro os objetos (qualquer tipo de objeto) que se encontram espalhados pela casa (qualquer casa). E veja: assim mesmo eram notadamente perceptíveis os movimentos contorsivos e doentios que seus dedos faziam em busca de alguma coisa para deslocar.

Agora; o mais normal dos três nesta visita foi o Adalberto... Se é que posso chamar o Adalberto de normal. Ele quase não fala com ninguém só para grudar seu ouvido no rádio de ondas longas, ondas médias, ondas curtas e almost waves que tem. Objeto este que povoa meus sonhos de quando em quando pelo fato de fazer parte de minha predileção. E creio que isto não é nenhuma novidade. Assim sendo, continuemos então com a narrativa. O chato dessas histórias que conto são as viagens que faço na hora de contar os ocorridos, mas procurarei encurtar este episódio. O Adalberto, mesmo com suas estranhesas, foi o único que informou sobre o show de lançamento do disco deste grupo chamado Loaded. Então, dados os cumprimentos de praxe entre amigos, ainda que certa dificuldade de cumprimentar o Azambuja por ele estar com as mãos amarradas, partimos todos, e rapidinho para o local da apresentação.

Lá estando, pudemos todos nos divertir. Os rocks e as baladas que tocaram com vitalidade serviram para libertar o jovem existente em mim. Agitei-me todo. Diverti-me muito, pelo menos até o momento que pisei em uma garrafa de cerveja vazia e fui ao chão. E neste inocente tombinho eu quebrei a cara, a garrafa na qual pisei, mais umas que estavam em cima de algumas mesas enquanto procurava me agarrar e evitar o tombo. Mesmo assim tal acontecimento não impediu que minha festa continuasse, porém, com menor intensidade. E depois, bem depois, fui levado ao pronto socorro para que meu rosto fosse remendado. Mas isto também já é assunto para, quem sabe, uma outra história.


Esta é a moçada do Loaded fazendo o lançamento de seu disco.
Oiram Bourges - 19:53 para cima

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